Sono depois dos 50: por que piora e o que fazer
Deitar cansado e não conseguir dormir, acordar às três da manhã e ficar olhando para o teto, levantar mais cansado do que deitou. Depois dos 50, muita gente ouve que "é coisa da idade". O sono de fato muda com os anos, mas dormir mal todos os dias não é normal, e quase sempre tem uma causa que pode ser investigada e tratada.
O que muda no sono com a idade
Com o passar dos anos, o sono profundo fica mais curto e os despertares durante a noite ficam mais frequentes. O relógio biológico também tende a se adiantar: dá sono mais cedo e a pessoa acorda mais cedo. Essas mudanças são esperadas.
O que não é esperado é acordar sem descanso, sentir sono forte durante o dia, cochilar sem querer ou depender de remédio para dormir. Esses sinais indicam que algo está atrapalhando o sono, e vale procurar o motivo.
As causas mais comuns, e tratáveis
Apneia do sono
Ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme junto, boca seca e cansaço de dia.
Urinar à noite
Próstata aumentada, bexiga hiperativa, diabetes, insuficiência cardíaca ou diuréticos tomados à noite.
Hormônios
Ondas de calor e suor noturno da menopausa; tireoide acelerada ou lenta.
Dor e pernas inquietas
Dor articular, refluxo e a vontade incontrolável de mexer as pernas ao deitar, às vezes ligada à falta de ferro.
Ansiedade e tristeza
Despertar de madrugada com a mente acelerada pode ser o primeiro sinal de ansiedade ou depressão.
Remédios e hábitos
Cafeína depois do almoço, álcool à noite, telas na cama e alguns medicamentos, como corticoides e certos antidepressivos.
Ronco alto não é só barulho
A apneia obstrutiva do sono é muito comum depois dos 50 e costuma passar anos sem diagnóstico. Durante a noite a garganta se fecha várias vezes, o oxigênio cai e o corpo desperta por segundos para voltar a respirar, sem que a pessoa perceba.
O resultado aparece de dia: cansaço, sonolência ao dirigir, irritação e falhas de memória. E aparece também no corpo: a apneia está associada a pressão alta difícil de controlar, arritmias, infarto e AVC. Ronco alto com pausas na respiração ou sonolência durante o dia merece avaliação, que pode incluir um exame do sono (polissonografia).
Como é feita a avaliação
A investigação começa por uma conversa detalhada: horários, rotina, ronco, despertares, remédios, humor e o que a pessoa sente durante o dia. Um diário do sono de uma ou duas semanas ajuda muito. Os exames entram para procurar causas que mexem com o sono:
- Glicose e hemoglobina glicada: o diabetes aumenta a vontade de urinar à noite.
- TSH: alterações da tireoide afetam o sono e a disposição.
- Ferritina e hemograma: a falta de ferro está ligada às pernas inquietas.
- Vitamina B12 e função dos rins, conforme o caso.
O remédio para dormir não é o primeiro passo
Calmantes e indutores do sono podem ajudar por pouco tempo, mas depois dos 50 aumentam o risco de quedas, confusão e dependência, e não resolvem a causa. Em quem tem apneia, alguns deles podem até piorar a respiração durante a noite. Primeiro se descobre o motivo; o tratamento vem depois, de forma individual.
O que ajuda desde já
- Horário fixo para deitar e, principalmente, para acordar, inclusive nos fins de semana.
- Luz do dia pela manhã e atividade física regular, de preferência não perto da hora de dormir.
- Café só até o início da tarde e pouco álcool à noite.
- Jantar mais leve e quarto escuro, silencioso e fresco.
- Se não dormir em cerca de 20 minutos, levantar, fazer algo calmo com pouca luz e voltar quando o sono vier.
Quando procurar atendimento logo
- sonolência ao dirigir ou cochilos sem querer durante o dia;
- pausas na respiração ou engasgos durante o sono, percebidos por outra pessoa;
- falta de ar ou dor no peito à noite;
- tristeza profunda, perda de interesse por tudo ou pensamentos de se machucar;
- movimentos bruscos durante o sono, como se estivesse "vivendo" o sonho.
Volte a acordar descansado
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