Ronco alto não é só barulho: pode ser apneia do sono
Muita gente trata o ronco como piada de família. Mas quando o ronco é alto, todas as noites, e vem acompanhado de pausas na respiração, ele pode ser o sinal mais visível da apneia obstrutiva do sono, um problema comum, pouco diagnosticado e que pesa no coração, no cérebro e no metabolismo.
O que acontece durante a apneia
Ao dormir, os músculos da garganta relaxam. Em quem tem apneia, a passagem do ar se fecha parcial ou totalmente várias vezes por hora. O oxigênio do sangue cai, o cérebro dá um "susto" para a pessoa voltar a respirar, e o sono é interrompido, muitas vezes sem que ela perceba. Isso pode se repetir dezenas de vezes por noite.
Sinais de alerta
Quem costuma perceber primeiro é quem dorme ao lado. Fique atento se houver:
À noite
Ronco alto quase todas as noites, pausas na respiração, engasgos ou acordar sem ar, levantar várias vezes para urinar.
Durante o dia
Acordar cansado mesmo dormindo horas, dor de cabeça pela manhã, sonolência ao ler, ver TV ou dirigir, irritação e falhas de memória.
Quem tem mais risco
Excesso de peso, pescoço largo, homens, mulheres após a menopausa, idade acima de 50 anos e pressão alta difícil de controlar.
Por que não deve ser ignorada
As quedas repetidas de oxigênio e os despertares deixam o corpo em estado de alerta a noite inteira. Com o tempo, a apneia sem tratamento se associa a:
- Pressão alta, especialmente a que não baixa mesmo com remédios;
- Arritmias, como a fibrilação atrial, infarto e AVC;
- Piora da glicose, do diabetes e do peso;
- Acidentes de trânsito e de trabalho por sonolência;
- Cansaço, desânimo e dificuldade de concentração.
Como é feito o diagnóstico
O exame que confirma a apneia é a polissonografia, que registra a respiração, o oxigênio e o sono durante a noite. Hoje, em muitos casos, ela pode ser feita em casa, com um aparelho portátil. O resultado mostra quantas pausas acontecem por hora e classifica a apneia em leve, moderada ou grave.
O que trata
- CPAP: um aparelho que sopra ar por uma máscara e mantém a garganta aberta. É o tratamento mais eficaz nos casos moderados e graves.
- Perder peso, quando há excesso, reduz e às vezes resolve a apneia.
- Evitar álcool à noite e remédios para dormir sem orientação: eles relaxam ainda mais a garganta.
- Dormir de lado ajuda quando a apneia piora de barriga para cima.
- Aparelho intraoral, feito por dentista habilitado, em casos selecionados.
- Avaliação com otorrino quando há obstrução no nariz ou na garganta.
Cuidado importante
Se você sente sono ao dirigir, não dirija até ser avaliado. E não use remédios para dormir por conta própria se ronca alto ou tem pausas na respiração.
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