Obesidade infantil no Brasil: quase 4 em cada 10 jovens acima do peso
Um novo relatório internacional trouxe um número que pede atenção de todas as famílias. Segundo o World Obesity Atlas 2026, da World Obesity Federation, 38,4% dos brasileiros de 5 a 19 anos estão com sobrepeso ou obesidade. São quase 4 em cada 10 crianças e adolescentes, ou quase 17 milhões de jovens.
Para comparar: a média no mundo é de 20,7%, cerca de 1 em cada 5. O Brasil está bem acima disso. E o mesmo relatório projeta que, se nada mudar, a proporção pode chegar a 50,4% em 2040, ou seja, metade dos jovens.
Não se trata de culpar a criança nem os pais. O peso das crianças reflete, em grande parte, o ambiente em que elas vivem: o que está à venda, o que chega à mesa, quanto se dorme e quanto se brinca. E é justamente nesse ambiente que a família pode agir.
O que está por trás desse número
Hoje a criança cresce cercada de produtos ultraprocessados: biscoito recheado, salgadinho de pacote, refrigerante, suco de caixinha, cereal açucarado. São práticos, baratos e muito anunciados, mas saciam pouco e são fáceis de comer em grande quantidade. Somam-se a isso menos tempo brincando ao ar livre, mais horas de tela e noites de sono mais curtas.
O que os pais podem fazer em casa
A mesa de casa
Comida de verdade na maior parte das refeições: arroz, feijão, legumes, verduras, frutas, ovos, carnes. Refeição em família, sem pressa e sem tela, ajuda a criança a perceber a própria fome e saciedade.
O que entra no carrinho
O que não fica no armário não vira hábito. Deixe os ultraprocessados para ocasiões, e não para o lanche de todo dia. Fruta lavada e à vista costuma ser escolhida.
Bebidas açucaradas
Refrigerante, suco de caixinha, néctar e achocolatado pronto somam muito açúcar sem a criança perceber. Água deve ser a bebida principal, e a fruta, inteira.
Sono e telas
Horário regular para dormir e telas desligadas antes de deitar. Celular e TV no quarto à noite atrapalham o sono, e dormir mal mexe com a fome no dia seguinte.
Corpo em movimento
Brincar, correr, andar de bicicleta, praticar esporte. Vale mais o que a criança gosta e repete do que um treino pesado que ela abandona. Quando os pais se mexem junto, fica mais fácil.
Sem dieta e sem rótulo
Evite comentários sobre o corpo da criança e dietas restritivas por conta própria. A mudança é da casa inteira, não só de quem está acima do peso.
Quando procurar avaliação
Vale levar a criança ou o adolescente para uma avaliação médica quando:
- o peso sobe mais rápido que a altura, ou a roupa aperta de uma estação para outra;
- há ronco frequente, cansaço fora do comum ou falta de ar ao brincar;
- aparecem manchas escuras e aveludadas no pescoço ou nas axilas;
- há casos de diabetes, pressão alta ou colesterol alto na família;
- a alimentação virou motivo de briga, ansiedade ou tristeza em casa.
Uma boa avaliação olha para a história da família, o crescimento, o sono, a rotina e, quando indicado, os exames. Cada caso é diferente, e o caminho deve ser construído com calma, junto com a família.
Converse com um médico
Se você está preocupado com o peso do seu filho, ou com o da casa toda, uma consulta com tempo para ouvir a história da família ajuda a entender o que está acontecendo e por onde começar.
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Fonte: World Obesity Federation, World Obesity Atlas 2026.