Inflamação silenciosa: o que é e como reduzir
Quando falamos em inflamação, a maioria das pessoas pensa num tornozelo torcido: inchado, vermelho, quente e dolorido. Essa é a inflamação aguda, que aparece, faz o seu trabalho de defesa e vai embora. Existe, porém, um outro tipo, que não dói, não dá febre e não aparece no espelho: a inflamação crônica de baixo grau, conhecida como inflamação silenciosa.
O que é
É um estado em que o sistema de defesa do corpo fica ligado o tempo todo, numa intensidade baixa, por meses ou anos. Em vez de apagar um incêndio e descansar, ele fica "de plantão" sem parar, liberando substâncias inflamatórias que, aos poucos, desgastam os vasos sanguíneos, o metabolismo e os próprios tecidos.
Por que importa
A inflamação silenciosa anda junto com várias das doenças mais comuns depois dos 40 anos:
- Infarto e AVC: ela participa da formação e da instabilidade das placas de gordura nas artérias.
- Diabetes tipo 2 e resistência à insulina.
- Gordura no fígado.
- Perda de músculo e de força com a idade.
- Envelhecimento acelerado de modo geral.
De onde ela vem
Quase sempre, de hábitos e condições do dia a dia que se somam:
Gordura na barriga
A gordura que fica entre os órgãos (visceral) funciona como uma "fábrica" de substâncias inflamatórias.
Sedentarismo e sono ruim
Ficar parado e dormir pouco ou mal mantêm o sistema de defesa em alerta.
Cigarro, álcool e ultraprocessados
Agridem os vasos e o intestino todos os dias. Gengiva inflamada e estresse constante também somam.
Como medir
O exame mais usado é a PCR ultrassensível (proteína C-reativa de alta sensibilidade), um exame de sangue simples. Para avaliar o risco do coração, costuma-se considerar:
- abaixo de 1 mg/L: risco baixo;
- entre 1 e 3 mg/L: risco intermediário;
- acima de 3 mg/L: risco aumentado.
Um detalhe importante: gripe, infecção, machucado ou exercício muito pesado nos dias anteriores sobem a PCR por um tempo. Valores acima de 10 mg/L geralmente indicam uma inflamação aguda e pedem repetição do exame depois. Por isso, a PCR é lida junto com a glicose, os triglicerídeos, a cintura e a pressão, nunca sozinha.
O que realmente ajuda
- Movimentar o corpo: caminhada na maior parte dos dias e musculação duas a três vezes por semana estão entre as medidas que mais reduzem a inflamação.
- Diminuir a gordura da barriga, quando há excesso: medir a cintura é um bom termômetro.
- Comida de verdade: verduras, legumes, frutas inteiras, feijão, peixe, azeite, castanhas; menos açúcar, farinha branca e ultraprocessados.
- Dormir bem, de 7 a 8 horas, e tratar o ronco com pausas na respiração, se existir.
- Parar de fumar e reduzir o álcool.
- Cuidar da boca: gengiva que sangra é inflamação ativa; visite o dentista.
- Tratar junto a glicose, a pressão e o colesterol.
Cuidado com os atalhos
Não existe "dieta anti-inflamatória milagrosa", chá ou suplemento que apague a inflamação sozinho. E anti-inflamatórios de farmácia não são tratamento para a inflamação silenciosa: usados por conta própria e por muito tempo, podem causar problemas no estômago, nos rins e na pressão.
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