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Comer bem não é comer saudável: o que muda no seu corpo

Por Dr. Joary de Pinho — Médico · CRM-SP 41.210 · Lumen Medical Institute · Publicado em 31 de outubro de 2026

No Brasil, "comer bem" costuma significar prato cheio, sobremesa e refrigerante na mesa. Dá prazer, mata a fome, e pode deixar o corpo sem o que ele precisa. Comer saudável é outra coisa: é escolher comida de verdade. Esse peso a mais que vai se instalando não é só aparência. Ele pode ser o início de uma doença, mesmo sem nenhum sintoma.

"As células estão chorando, e ninguém enxerga." Essa é a minha visão clínica: por fora, a pessoa parece bem; por dentro, o corpo já está trabalhando no limite.

Comida de verdade ou produto?

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, usa uma regra simples: basear a alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados e evitar os ultraprocessados.

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Comida de verdade

Verduras, legumes, frutas, feijão, ovos, carnes, peixes, leite e castanhas. A sua avó reconheceria.

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Processados

Conservas, queijos, pães simples. Podem entrar em pouca quantidade, como parte de uma refeição.

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Ultraprocessados

Refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos e congelados prontos. Esses, evite.

Por que os ultraprocessados pesam tanto

Eles foram desenhados para durar na prateleira e dar vontade de comer mais. Costumam ter muito açúcar, sal e gordura, pouca fibra e pouca proteína. Num estudo controlado publicado em 2019, adultos comeram cerca de 500 calorias a mais por dia com uma dieta ultraprocessada do que com uma dieta de comida de verdade, e ganharam peso.

Grandes estudos também associam o consumo alto de ultraprocessados a mais obesidade, diabetes tipo 2 e doença do coração. Esses estudos mostram associação, não provam causa em cada pessoa, mas apontam todos para o mesmo lado.

O que acontece dentro do corpo

Quando açúcar e farinha chegam em excesso, a insulina sobe para dar conta. Com o tempo, as células respondem cada vez menos, e esse quadro se chama resistência à insulina. O excesso vira gordura na barriga e no fígado, que libera substâncias inflamatórias. Tudo isso pode acontecer durante anos sem dor, e por isso quem "come bem e se sente bem" pode ter uma surpresa nos exames.

Como ler o rótulo em 20 segundos

O que fazer a partir de hoje

Pessoas com diabetes em uso de insulina, gestantes, idosos e quem tem doença renal devem ajustar a alimentação com o médico. Não suspenda remédios por conta própria.

Quando procurar atendimento logo

Como está o seu corpo de verdade?

Sentir-se bem não basta. Uma consulta com tempo para ouvir a sua história, olhar os seus hábitos e ler os seus exames em conjunto mostra por onde começar.

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Este artigo tem caráter educacional e não substitui avaliação médica individualizada. O resultado de cada pessoa é diferente. Não comece dietas restritivas nem mude remédios sem orientação médica.